Setembro Chuvoso
(MaicknucleaR)
Sem nutrir catástrofes apocalípticas nessa casa de veraneio na qual chamo de meu coração.
Toda uma sorte de tempestades já foram semeadas nesse fio de prata, com turbilhões extremamente amargos, armados, dolorosos e solitários.
Ninguém viu as lágrimas se jogando ponte abaixo, com zero perspectiva de qualquer perspectiva, mas às vezes o rap vira folk.
O que enxergam é minha face rude, meu jeito quinta-seresco de ser, mas nunca a profundidade filosoficamente destrutiva de minha multiessencialidade construtiva. Minha suavidade bélica. Metropólico úrico. Coração maior que uma Kombi-Home que observou a incrível passagem do tempo pelo prisma poético que somente a leveza da vida e sua condição dolorosa humana podem transcrever e transliterar.
Onde quero chegar com isso? Ainda não decidi. Preciso saber?... Todo cego diz saber trocar tiros no escuro e, às vezes, estou no certame. No fundo sou um grande romântico que em vez de uma flor nos dentes serrados, ostenta o pino de uma granada e uma cara de "vamos ver". Que queria viver o maior amor do mundo, mas que não consegue enxergar Princesas em quem age como sugar-baby. Que não consegue romantizar o platonismo e que fez pós-doutorado em "se fudismo". Mas, foco... Foco com TDAH. Não nasci com esse dom da escrita, foram muitas horas de vôo e turbulência na atmosfera do desespero que me fizeram chegar ao Nuclear, após ser só Maick. Minhas músicas falam mais sobre mim do que qualquer "grito" de uma geração mas, todo grito de "uma geração" foi apenas a dor de um excluído que teve belos resultados no flip-chart da vida, que vendeu pra caralho. Nada mais. E me perdoem por ser um iconoclasta desalmado. Gosto de armas. Carros antigos. Mulheres voluptuosas e de folhas caindo como em câmera lenta. Dá uma sensação de que a vida faz mais sentido do que ela tem verdadeiramente. Se é que deve ter sentido. E tem essa dor anímica, essa manifestação da alma que chega a causar um incomodo físico. Não a falta de algo. Não um vazio. Uma sensação de estar no corpo errado. De atuar em um roteiro que não deveria ser o meu papel. Um medo bobo de algo incontrolável e puro. São e doentio. Mas não se preocupe - sei que não se preocupa -, pois são apenas reflexões, subterfúgios que me levam em direção ao mar. Abissal demais nesse mundo vazio, raso, de tez extremamente manipulada, sem vergonha alguma na cútis, de sorriso sardônico e com uma faca nas costas que sempre é usada para dar facadas nas costas. A intenção era falar da inviolabilidade do etéreo. Das coisas falsamente sagradas. Da transmutação da dor em beleza. Mas creio que me perdi com a caneta ou no excesso de julgamento do alheio para comigo - eu vejo em seus olhos e trejeitos.
Mas jamais deixei de acariciar filhotinhos, de sentir Deus tocando minhas costas com a água gelada da cachoeira, ou simplesmente no desespero de não saber o que devo fazer.
Sempre amei um belo desfecho. Uma frase poderosa de finalização, mas, dessa vez, vou apelar pro Fade Out. Pro ocaso impiedoso e sereno.