
Lembro-me do tempo em que o quarteirão de minha rua era maior do que todo o universo que há em meio do firmamento.
Tempos em que podíamos pegar estrelas com as mãos e guardávamos aviões dentro de nossas camisetas dois peixinhos.
Da rodinha sobressalente do lado esquerdo da velha BMX as manobras espetaculares em cima da mesma.
Tempo em que o escuro nos seduzia, intrigava e provocava choros.
Tempo que em que desbravamos o mundo dentro de pequenos caminhões de madeira, aventuramo-nos em velhas casas assombradas atrás de fantasmas. Anos oitenta onde assistíamos os filmes de adolescentes colegiais loucos por sexo, e passávamos meses com aqueles peitões americanos na cabeça e dizendo: “eu vi, você não viu”.
Tempo onde a calmaria da falta de assunto não incomodava como hoje em dia. Exatamente nesses momentos, olhando para o velho lago de Mairiporã quando um de nossos pais levava, comendo pão com mortadela e tomando guaraná, quietos... Nós éramos eternos